Heaven from Hell,
Blue skies from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.
Encontramos os mesmos velhos medos, ano após ano, caminhando nesse mundo que faz com que troquemos o que somos pelo que ele espera de nós. E o mundo só espera de nós que nos encaixemos em seu discurso hegemônico, definindo o que é normal e o que não é. Ele apenas nos diz o que devamos ser, sem nos perguntar nem o que somos nem o que queremos ser.
Mas nós temos capacidade de distinguir aquilo que se nos apresenta como percepção nossa e aquilo que já vem cheio de dever-ser do mundo, do sistema, da tradição e dos costumes? Temos a capacidade de distinguir o frio conforto da mudança? Ou meras brasas, cinzas de algo que já não é mais, de uma árvore em sua plenitude existencial?
Fizeram-nos trocar nossos heróis por fantasmas? Nossas esperanças por medos? Nosso ímpeto pelo conforto? E agora não distinguimos mais nada. Somos nada; niilistas vagando por um mundo cuja racionalidade chega ao último “por que” nos dizendo que as coisas não fazem o menor sentido e não vão a lugar algum.
Forçaram-nos a usar a racionalidade como ferramenta de distinção das coisas. E logo, a racionalidade se transformou de meio; mera ferramenta, para fim; objetivo final de todo o conhecimento. Mas a racionalidade nos leva necessariamente ao niilismo, à nadificação de nossa humanidade, ainda mais quando ela se pretende neutra, sem reduzir-se à sedução de confirmarmos redundantemente nossas próprias crenças. Quando pensamos que ela nos liberta, ela nos prende ao vazio; e optamos por uma liderança na cela ao invés do caminhar livre em meio ao devir.
Ahh Nietzsche, quão lúcido foi em sua loucura sapiente? A razão é a própria causa do niilismo, da nadificação dos sentidos. E isso não é um mal per si, até por que nos permite construir tudo em novas bases; nossas, adaptativas, preocupadas com a própria qualidade da vida humana.
Nossos estados psicológicos, necessários à nossa sanidade (por isso talvez Nietzsche tenha ficado louco) engendram de forma precisa, cirúrgica, o que precisamos acreditar para nos conferir segurança. O fato é que não queremos responsabilidade pelo vir-a-ser. Queremos fugir da responsabilidade de nos tornarmos, por conta própria, sempre algo diverso do que éramos há algum tempo atrás. Isso não nos conforta, mas sim nos atordoa, e precisamos encontrar uma identidade; algo em nós que nos estabiliza e estabiliza o que está em nossa volta.
E somos controlados através dos roteiros prontos que nos servem desde o nascimento, providos por quem domina.
E para nós, quando esgotados de uma racionalidade que não se satisfaz até a regressão exaustiva dos “por quês”, e percebemos que não é possível antever esse fundamento finalístico no devir, nem tampouco identificar essa unidade organizadora, além de sentirmos na carne a realidade do que muda sempre; o mundo cai em ruína e o que nos resta é o niilismo... Eis o segundo passo da racionalidade.
É... A ignorância é uma benção. Mordemos a fruta da ''Árvore da Vida'' e fomos expulsos daquele estado de inocência que supria nossas necessidades através da submissão voluntária e engajada aos roteiros convencionais.
Talvez exista outro caminho. Mas ele é opcional. Parece-me que a racionalidade não nos leva a ele, pois requer dor, impulso, flor da pele, carne-viva. A racionalidade nos protege; ela sempre quer razões suficientes e necessárias para nos convencer a fazer algo.
A alternativa é dolorida, mas é uma alternativa: termos a coragem de resistir. Resistir tanto ao vazio interno da constatação do Nada, quanto do Tudo externo que querem que engulamos palato adentro.
Quero resistir. Quero lutar. Não consigo sozinho. Estão comigo? Ah, como queria que você estivesse aqui. “Wish you were here”
Gabriel T.






